
Neste espetáculo concebido por Evelyn Ligocki, o espectador é um dos visitantes da casa de Bety, que o recebe para contar os detalhes do dia-a-dia de alguém que nasceu em corpo de homem, mas vive em um universo feminino. O público divide o mesmo espaço com a atriz, que contracena durante quase toda encenação diretamente com seus convidados, recebidos e acomodados por ela em sua “casa”. Em seu quarto, permite-se um mergulho no um mundo comum a todas as travestis; ora cintilante, ora opaco, e repleto de preconceitos, risos, silicone, sexo, música, salto alto, desprezo, solidão e feminilidade.
Evelyn Ligocki trabalhou nas ruas de Porto Alegre, diretamente com as “monas”, entrevistando-as e participando como observadora do cotidiano desse grupo. Nas calçadas e casas, conheceu as histórias, os trejeitos, as gírias, os rancores e os desejos retratados por Bety. A atriz encontrou material para seu trabalho também na Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul – IGUALDADE, que defende a cidadania dessa parcela da população.
A trilha sonora, também fruto de pesquisa, é baseada em canções que as travestis utilizam em seus shows em boates. O texto foi construído por Evelyn Ligocki baseado nas entrevistas da pesquisa de campo e em improvisações durante a criação da encenação. Portanto, texto, personagem e encenação foram construídos simultaneamente, retroalimentando-se. Como o espetáculo tem abertura para improvisação com o público, o texto ganha novos tons entre uma apresentação e outra. A montagem tem aproximadamente 60 minutos.
Foto: Walter Antunes

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